É fato que a tecnologia está cada vez mais em alta no que diz respeito a construção civil, sendo inevitável que ela esteja presente nos próximos anos de maneira mais abrangente, é que especialistas preveem para o setor. Com isto impactos vão surgir na mão de obra empregada e de fornecedores, e quem não estiver qualificado para atender essa demanda vai estar de fora do mercado.

Quando comparamos outros segmentos da economia, como por exemplo o automotivo, é notável que a construção civil precisa avançar no que diz respeito a tecnologia. De acordo com José Carlos Martins, presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), a previsão é que este cenário mude.

“A construtora vai ser como uma montadora de carro. Depois do projeto pronto, será feita a montagem do prédio. Os fornecedores vão entregar o material pré-fabricado, pré-moldado e técnicos especializados farão a montagem. Não haverá mais espaço para tijolo sobre tijolo”, destaca.

Segundo Martins, um mestre de obras tem um papel fundamental na construção, e ele também precisará dominar a tecnologia BIM (Building Information Modeling – Modelagem de informação da Construção) que cria os modelos virtuais digitalmente de uma construção, permitindo assim uma melhora na análise e controle mais eficientes que os processos manuais.

De acordo com Marcos Vasconcellos, coordenador de Projetos Estratégicos da Construção Civil do Sebrae/RJ, não tem mais volta. É um fato de que a construção civil irá se aproximar dos modelos das indústrias automobilísticas.

“Cada vez mais a construtora busca um sistemista (como é chamado, na indústria automobilística, o fornecedor de produtos) que entregue soluções, não simplesmente mão-de-obra. Não quer mais quem forneça tijolo, quer a parede pronta”, afirma.

Uma das consequências desse desenvolvimento é o espaço que as micro e pequenas empresas vão ganhar, tendo em vista que pode haver um aumento na contratação de serviços terceirizados, aponta Vasconcellos.

Em uma grande obra a incorporadora ainda precisará dos serviços de instalador hidráulico, gesseiro, instalação de vidros, entre outros. “Essa é a hora deles se qualificarem também como gestores do próprio negócio. Esses profissionais precisam se especializar e se colocarem à disposição do mercado, não somente de uma obra”, destaca o coordenador.

O Sebrae, desde 2015, mantém um projeto Reconstruir que é em parceria com o Sinduscon-Rio e o Seconci-Rio que tem como objetivo qualificar pessoas que com a crise perderam seus empregos, uma média de 1 milhão de empregos da área foram cortados desde a crise, em 2013. São cerca de 13 cursos gratuitos para várias formações para incentivar o micro empreendedorismo qualificando-os nas áreas fiscais e de gestão financeira por exemplo. Atendimento ao cliente, controle das finanças e despesas pessoais, orçamentos de obras, são algumas das áreas que estarão qualificados após o treinamento.

 

 

 

Setor volta a crescer e contratar em 2018

De acordo com as perspectivas o PIB (Produto Interno Bruto) da Construção Civil deve crescer cerca de 2% em 2018, consequentemente as empresas voltam a contratar.

Outro indicador dessas mudanças são as perspectivas dos investimentos em habitação entre 2017 e 2020, segundo estudo Construbusiness – Brasil 2020, construir, planejar, crescer. Segundo essa pesquisa calcula-se que neste período a construção de novas moradias movimente em torno de R$ 205,6 bilhões de reais por ano.

Para Jaques Bushatsky, pró-reitor da Universidade Secovi, em São Paulo, quem não estiver qualificado não será contratado.

Neste seguimento, a Universidade Secovi-SP veio como a primeira deste gênero no ramo imobiliário, sendo criada com a intenção de ajudar a preencher essa lacuna. Já formaram quase 23 mil alunos em uma década de atividade. Segundo Bushatsky, profissionais tais como os mestres de obras também já se qualificaram na instituição. Um dos objetivos é estreitar a relação entre profissionais da área como arquitetos e engenheiros afim de melhorar o entendimento da obra.

“Ninguém vai ensinar o mestre de obras a cimentar, por exemplo, mas vão orientá-lo a como economizar água e diminuir as despesas no processo, verificar se outros operários estão usando corretamente os equipamentos de proteção obrigatória, entre outros”, explica.

Historicamente todo esse processo de mão de obra na construção civil foi aprendido na prática, qualificada pela construtora ou são formados pelo Senai que oferecem os cursos. Geralmente quando essa turma consegue sua primeira vaga eles não buscam se aprimorar.

Tendo em vista isto, os cursos de qualificação são necessários para suprir essa necessidade do setor, pois é comum que o trabalhador não procure especialização por conta própria.

Cerca de 58% das pessoas que trabalharam com carteira assinada amplificaram seus conhecimentos após ações promovidas pelas próprias empresas. Neste meio, mais de 70% concluíram o curso de Segurança do Trabalho, ou seja, não aperfeiçoaram suas habilidades, de acordo com estudos feitos pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).

De agora em diante a âncora da economia pode ser a construção civil e não mais a agricultura. Será necessário construir mais casas. A previsão do Secovi-SP juntamente com a Fundação Getúlio Vargas (FGV) é de que serão necessárias 14,5 milhões de novos domicílios para suprir este déficit habitacional até meados de 2025.

Martins acredita que haverá uma revolução muito grande no setor com a divulgação dessas práticas que já ocorre em outros países atualmente, é o caso da impressora 3D na construção. Nos Estados Unidos, na Califórnia, na China e na Índia estes equipamentos já estão em testes com o propósito de construir uma casa em alguns dias. Concluindo essa etapa será capaz de transformar ideias surreais a uma nova forma de construir.

Texto adaptado de: G1 – Em Movimento