A Nova Era da Arquitetura e Decoração dos Hotéis

A Nova Era da Arquitetura e Decoração dos Hotéis

A Nova Era da Arquitetura e Decoração dos Hotéis

Por Gabriela Otto

Vamos encarar a realidade: não há mais espaço para decoração entediante em hotéis. A arquitetura e decoração de interiores voltados à hotelaria podem ajudar muito a tangibilizar seu posicionamento, sua identidade, sua proposta, seu diferencial. São elementos extremamente perceptíveis, mesmo que inconsciente para alguns. As três palavras de ordem para a ambientação de hotéis hoje são: conforto, estímulo e interatividade.

Para tanto, não se pode limitar a ousadia a marcas como W Hotels ou Unique. Além disso, se você é um hotel independente, fique longe de padrões internacionais, tenha identidade própria, torne a criatividade parte da sua estratégia e inspire-se. Use e abuse da arquitetura e da decoração para encantar e envolver seus hóspedes. É para isso que ela serve. Os viajantes querem lembrar de produtos únicos, criativos. Estes, aliás, são os mais lembrados e comentados nas redes sociais após a hospedagem.

Vamos entender o que vem acontecendo com o mercado.

Dos anos 1970 aos dias de hoje

Durante muitos anos, a arquitetura e a decoração hoteleira repetiam padrões internacionais com o discurso de manter os projetos globalizados. Qual viajante frequente já não perdeu a noção de onde estava porque acordou em um quarto exatamente igual a todos os outros?
Tal tendência, felizmente, está acabando. Embora grandes redes ainda insistam na decoração impessoal, muitas outras já começam a colocar elementos da cultura local nos seus ambientes, aproximando-os dos hóspedes.

Até os anos 1970/1980, a arquitetura e decoração seguiam basicamente dois estilos:

  • Americano – chão frio, pé direito alto, restaurante fraco e recepção tradicional. Eficiência é mais importante que afeto ou luxo. Construções geralmente novas, verticais e com ênfase na tecnologia. Palavra chave: Funcionalidade.
  • Europeu – tapetes, plantas, pé direito mais baixo e, nos mais tradicionais, check-in sentado. Modelo que valoriza as mordomias e cerimônias, no qual o antigo tem valor. Maior integração com a natureza. Palavra chave: Conforto.

Esses rótulos estão acabando, e os dois modelos se mesclando. Muitos executivos e investidores hoteleiros já entenderam que o inteligente, em termos de construção e decoração, é agregar o melhor dos dois mundos.

Os hóspedes agradecem. Afinal de contas, um hotel é muito mais que “dormir fora de casa”. Para muitos, a hospedagem é diversão, negócios, fuga da rotina (turismo cultural), novos conhecimentos (para quem participa de eventos) etc. Não há mais espaço para hotéis engessados. Versatilidade é essencial nessa indústria.
Com base nisso, a onda do design tomou conta da hotelaria. Hoje encontramos bares temáticos, restaurantes incríveis, salas de eventos interativas, fitness e lobbys sensacionais. E, por falar em lobby, esse é o ponto primordial com o qual você pode ganhar ou perder o cliente.

Lembre-se da importância da primeira impressão. Até então, o viajante só tinha a promessa (comentários dos amigos, propaganda, reportagens, seu site, redes sociais etc). Esse é o momento no qual toda sua expectativa começa a tomar forma.

Não é à toa que decoradores de todo o mundo têm dedicado atenção especial aos lobbys. É só reparar nas últimas renovações. O novo lobby do Hotel Inter Continental São Paulo é um bom exemplo disso.

lobby_hotel_inter

A tendência da arquitetura e da decoração como parte da estratégia dos hotéis não para por aí. Ambientes cada vez mais sensoriais estão sendo trabalhados como suporte à imagem e à percepção da marca. Bibliotecas, galerias de arte e exposição, salas privativas para trabalho, sala de jogos, playground e áreas de convivência ao ar livre já são encontrados até nos hotéis corporativos mais tradicionais. Mas será que é preciso ser um hotel de luxo ou ter muito capital para investir nesse tipo de ambientação?

A resposta é não. A criatividade superou a ostentação. O luxo e o requinte excessivos deram espaço à funcionalidade e ao bom gosto. Você não precisa contratar o Philippe Starck ou o Ian Schrager para decorar seu hotel. Mas nada o impede de utilizar suas duas ideias principais:

  • Áreas públicas – ambientes de socialização (base dos hotéis design), integrando os hóspedes, o hotel e a cidade.
  • Apartamentos – decoração intimista, foco no conceito “casa fora de casa”, passando sensação de segurança e alívio. Armários, mesas e sofás são dimensionados de acordo com a permanência média dos hóspedes. Além, claro, do básico: móveis resistentes, boa acústica, proibido ar-condicionado de janela e funcionalidade com tomadas e conexões em geral.

Existem empresas especializadas em decoração de interiores e arquitetura hoteleira aqui no Brasil que esbanjam bom gosto. Aliás, bom gosto é o desafio. Na ansiedade de criar algo diferente, vemos hoteleiros “perderem a mão” com carpetes psicodélicos nas áreas de eventos, iluminação cansativa, apartamentos nada funcionais que, com a desculpa de ser design, acabam tornando a hospedagem estressante.

Outros vão ainda mais além. O caso clássico é dos cofres com abertura lateral para deixar o laptop carregando. Atenção: isto esquenta demais o equipamento e pode queimá-lo. Você voltaria para um hotel que fez você perder todo o conteúdo e ainda inutilizou seu computador?

Tendências

Também é importante ampliar a visão. Design é algo que está presente não só na decoração, mas na arquitetura, na natureza, na vista da janela, nos pequenos detalhes. As paredes de vidro e as plantas do lobby do Tivoli São Paulo ou a vista da Ponte Estaiada do Sheraton WTC são exemplos dessa beleza.

lobby_hotel_tivoli

A última edição da revista Casa Vogue traz um editorial muito interessante sobre o assunto:“Um mundo atento ao ser humano e ao meio ambiente, em que reina o respeito à vida e à natureza. Valores permeados pela sustentabilidade, inclusão social e diversidade. E também pelo ócio – criativo. Porque a preciosidade máxima é o tempo e o que se faz com ele. A idade pouco importa. Um lugar onde se acumulam amigos, cultura, boas ideias e doces lembranças. Um universo imaginário? Não, um novo mundo, identificado pela essência e pelas emoções. Superfícies com efeito tátil e visual, ícones centenários e designers visionários. Mas, acima de tudo, liberdade total de utilizar o espaço e combinar estilos, de forma cada vez mais ampla e multidisciplinar. O luxo de ser o que se sente, de ser o que se é”.

Realmente o foco mudou! E para deixar esse conceito mais tangível, seguem algumas dicas de grandes arquitetos e decoradores:

  • Ambientes onde as pessoas podem usar e abusar sem regras;
  • Proporcionar conforto;
  • Valorizar o hábitat;
  • Flores e plantas, sempre naturais;
  • Se você deseja coisas boas, perfeito. Não é justo que outras pessoas sofram por causa disso. Não é mais aceitável que os materiais de construção e decoração do seu hotel sejam provenientes de uma cadeia de produção que gera exploração ou pobreza;
  • Madeira de demolição;
  • Luz natural;
  • Sensação de escapismo (mesmo em hotéis corporativos);
  • Estética não é mais fundamental. Harmonia e bem-estar sim.

Para finalizar, o escritório britânico WGSN define três grandes tendências mundiais como novos caminhos estéticos:

  1. Hyper Cultura –Múltiplas origens e influências tomam lugar de culturas singulares. Evolução Cultural. Surge uma estética que mixa marcas, estilos, valores e ícones que encarnam suas origens culturais.
    2. Eco-Hedonismo –Surge um novo luxo em paralelo à natureza. Sustentabilidade combinada com o hedonismo. O que era uma técnica de sobrevivência agora é um caminho luxuoso para o consumo.

Exemplo: O Awasi (Deserto do Atacama, Chile) utilizou somente materiais encontrados até 100 quilômetros de distância do hotel na sua construção e utiliza a cultura local como base de sua estratégia. Prova disso são suas diárias de US$ 2 mil e a participação em organizações como Relais & Chateau e Virtuoso Hotels & Resorts.
eco-hedoismo

  1. Neutralidade Radical –Os moderados são os novos radicais. A neutralidade é a nova espiritualidade. Mudar o ponto focal e, automaticamente, a relevância da imagem. As aparências parecem singulares, mas mantém a diversidade cultural.

Muito viajante? Bem, grandes designers são grandes artistas, e esse pessoal vive de grandes inspirações.

corredor_iluminado

Todos eles concordam que hotéis e restaurantes ainda demandam um over design (em comparação à decoração de residências, por exemplo). A Hyper Cultura e o Eco-Hedonismo já dão sinais em vários hotéis pelo mundo. Será que esse over se mantém por muito tempo ou a aproximação do conceito Guest  House consolidará a Neutralidade Radical como a grande tendência para o mundo da hotelaria?

Seja como for, inspire-se! Não dá mais para viver em um mundo commodity de hotéis sem criatividade!

Fonte: http://www.gabrielaotto.com.br

 

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O mercado para Arquitetura Hoteleira

O mercado para Arquitetura Hoteleira

O mercado de hotelaria está em grande expansão no Brasil e no mundo. Na Europa, países como a Itália, França e Inglaterra tem grande parte de suas rendas vinda do turismo. O turismo é conhecido como indústria limpa, pois não gera poluição e o fruto dele só enriquece os locais por onde passa. É responsável por 9% do PIB mundial.

O turismo está diretamente ligado ao crescimento da hotelaria. Na América Latina, a cidade que mais cresce com hotelaria é o Rio de Janeiro. Nas Olimpíadas, a ocupação hoteleira e em algumas outras cidades que sediaram alguns jogos ou competições chegou a 88% de ocupação.

Curso de Arquitetura Hoteleira

Vem crescendo no Brasil também o turismo gastronômico, segundo Vinícius Lummertz, presidente da Embratur. Em Santa Catarina, a rota da cachaça  ocorre no Vale do Itajaí, região que é referência na produção de cachaça artesanal.

Local de forte colonização alemã e italiana, outra bebida que pode ser degustada é a cerveja, uma das atrações da Oktoberfest em  Blumenau. Esse tour cervejeiro pode se estender ainda pelo Rio de Janeiro, no chamado circuito da Serra Verde Imperial, composto pelos municípios de Petrópolis, Teresópolis, Nova Friburgo, Cachoeiras de Macacu, Santa Maria Madalena e Guapimirim, todos próximos do Rio de Janeiro, cidade da Olímpiada 2016.

Ainda na região Sul, o turista poderá seguir na rota do vinho, região que se destaca pelo  enoturismo.

Passeios parecidos aguardam os turistas que forem ao Rio Grande do Sul, onde acontece a rota do vinho na Serra Gaúcha. Além da bela paisagem, outra atração das cidades de Bento Gonçalves, Farroupilha, Caxias do Sul e Garibaldi são as dezenas de vinícolas.  Assim como o vinho, são incluídos também os espumantes, há uma diversificada na gastronomia, fruto na mistura das diferentes culturas presentes nessas cidades.

Esses são alguns exemplos onde temos uma grande expansão na área de hotelaria e pousadas no Brasil. É necessário conhecer em qual área seu projeto vai atuar: Temos o turismo de negócio, turismo de passeio e como citamos acima o turismo gastronômico. São três características diferentes na hotelaria e no desenvolvimento de projetos e qualificação. O turismo de negócios requer hotéis mais simples. Como exemplo temos os econômicos (quartos com aproximadamente 15,50m²) e super-econômicos (quartos com aproximadamente 12,50m²). O turismo gastronômico e o de passeio requer quartos mais amplos e confortáveis com tamanhos entre 18,00 a 22,00m². Ambos têm que possuir uma boa cama, uma boa ducha e wifi de qualidade, estando na cidade ou até em lugares mais distantes.

Esses empreendimentos tem que ser sustentáveis. Entende-se por sustentabilidade os empreendimentos ecologicamente corretos, economicamente viável, culturalmente aceitos e socialmente justos.

Autor: Arq. E Urbanista Regina Morandi

Baseada no artigo publicado por Vinicius Lemmertz, presidente da Embratur.
Original: http://huff.to/1MJyuyt

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